Botafogo anuncia que abrirá as portas do clube para recuperar Jobson

Jobson

20 de janeiro 2010

  

    Punido por dois anos pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) por ter sido flagrado em dois exames antidoping, nos quais sua urina apontou traços de cocaína, Jobson poderá realizar seu período de recuperação no Botafogo, clube que atuou em 2009.

    A informação foi divulgada nesta quarta-feira pelo presidente do clube, Maurício Assumpção.

    O dirigente afirmou que o Alvinegro tem muito carinho pelo atleta e não poderia abandonar o atacante neste momento difícil.

    O jogador admitiu em seu julgamento na terça-feira que fez uso de crack, e não cocaína, mais de uma vez. Desta maneira, Maurício Assumpção entendeu que o atleta precisa ser tratado como um dependente químico.

    “Temos um carinho muito especial pela figura que é o Jobson. Ele teve papel fundamental para nos manter na primeira divisão ano passado, mas o problema dele é sério. Ele tem uma doença que precisa ser tratada.

    Eu sei bem o que é isso porque presenciei isso dentro da minha casa e o resultado foi catastrófico. Desta maneira, tudo que o Botafogo puder fazer, desde que ele queira, vamos fazer para ajudá-lo”, afirmou Maurício, que completou.

    “Já falamos sobre isso com Brasiliense. Nós estamos de portas abertas para ajudá-lo nessa luta contra essa doença. Caso virássemos as costas poderia ser ainda pior”, disse.

    Os direitos econômicos de Jobson pertencem ao Brasiliense, que emprestou o atleta ao Botafogo até 31 de dezembro de 2009. O Cruzeiro se interessou pelo atacante durante a disputa do Campeonato Brasileiro e chegou a negociar com o clube candango.

    No entanto, acabou desistindo depois da confirmação da notícia que o atleta se dopou durante o Nacional e poderia, inclusive, ser banido do futebol.

    Estevam Soares, que trabalhou com Jobson ano passado, também se comoveu com a punição. O técnico revelou que conversou com o jogador por telefone e chegou a convidá-lo para visitar a concentração dos atletas, em General Severiano, e participar do jantar com o atual grupo de jogadores.

    “Falei com o Jobson por telefone na terça-feira. Procurei fazer meu dever e passar palavras de incentivo para ele. Coloquei para ele que qualquer ser humano está sujeito a cometer erros e somente Deus é infalível.

    Convidei o jogador para nos visitar aqui no Botafogo e participar da ceia. Ele esteve na minha sala, mas preferiu recusar o convite porque nem todos os atletas estiveram trabalharam com ele ano passado. Conversamos pouco no clube porque ele estava em estado de choque”, disse o treinador.

    Especialista: no futebol, uso de crack pode fugir do controle

    Depois do atacante Jobson, que foi pego no doping e suspenso do futebol por dois anos pelo uso de crack, a possibilidade de aparecer novos casos existe, é o que aponta o psiquiatra Carlos Salgado.

    Em entrevista ao SporTV,o médico comparou a probabilidade de aparição de outros jogadores dependentes a baratas, afirmando que, quando aparece uma há grandes chances de haver outras escondidas.

    O especialista apontou a disponibilidade da droga como facilitadora da imersão de jovens atletas a dependência química. "Eu acho que a democracia da disponibilidade da droga realmente deixa mais fácil... nenhum de nós está livre de experimentar... infelizmente a cocaína na forma de crack pode sobreviver e fugir do controle" disse.

    Para Carlos Salgado as regras rígidas do esporte são uma forma de fazer com que os jovens jogadores se afastem das drogas. "Como profissional de saúde avalio que todo esforço de trazer o jovem para o bom senso é válido... que bom que existe uma regra tão reguladora".

    Fonte: UOL Esportes

   
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