Falta estrutura para tratamento químico

Estrutura

05 de fevereiro 2010

  

    Hospital de Messejana: a unidade de saúde, única no Ceará, conta com 20 vagas para internação de pessoas do sexo masculino dependentes de álcool ou drogas. O Ceará conta apenas com um hospital e convênios com entidades para recuperação de usuários de drogas.

    O governador do Estado do Ceará, Cid Gomes, disse ontem, durante sessão de abertura dos trabalhos na Assembleia Legislativa do Ceará, que o Estado não deve investir na construção de equipamento para tratar dependentes químicos, mas apoiar as entidades que realizam trabalhos nesse sentido. Segundo ele, o Estado que atua dessa forma, atua mal.

    O Ceará já conta com o Hospital de Saúde Mental de Messejana (HSMM), único em todo o Estado que possui unidade específica para atendimento de dependentes de álcool e drogas, que é a Unidade de Desintoxicação Masculina (UD).

    "Porém, a estrutura ainda é pequena para o tamanho do problema, apesar de o serviço ser de qualidade", salientou o diretor do hospital, Marcelo Theóphilo.

    Hoje, a unidade conta com 20 vagas apenas para internação de pessoas do sexo masculino.

    "A faixa de ocupação é de quase 100%", disse. Em 2009, foram 694 internados por problemas com drogas.

    De acordo com Theóphilo, o número de leitos não pode aumentar por conta da Lei Estadual 12.151/03 que não permite a criação de mais leitos em hospitais psiquiátricos.

    Apesar da falta de estrutura para atender a demanda, o diretor do hospital garante que todos são acolhidos.

    A fim de desafogar os atendimentos, o HSMM vai receber um ambulatório específico para atendimento de dependentes químicos e mais uma Unidade de Desintoxicação Feminina.

    Quanto às entidades que cuidam de dependentes químicos, o Estado tem convênio com algumas, como o Desafio Jovem e Leão de Judá.

    No entanto, de acordo com o professor titular de psiquiatria da Universidade Federal do Ceará (UFC), Antônio Mourão Cavalcante, os governos precisam investir em prevenção, já que o problema chegou a um nível que deixou de ser familiar para ser problema de saúde pública. "O governo tem de dar respostas à sociedade.

    Não existem políticas de prevenção municipais, nem estaduais e nem federais". Além disso, segundo o psiquiatra, o tratamento é deficiente. Para ele, o passo a ser dado é investir na prevenção e acolher os jovens que já estão envolvidos com drogas.

    No âmbito municipal, a cidade de Fortaleza deveria receber um hospital voltado exclusivamente para tratamento de usuários de drogas, segundo determinação da 4ª Vara da Infância e da Juventude. O prazo dado para a construção do equipamento foi de 12 meses desde a decisão, em agosto de 2009.

    Ampliação

    O tempo estabelecido ainda não se encerrou, porém, a integrante do Colegiado de Saúde Mental do Município, Rane Félix, alegou que não recebeu o processo e que a gestão municipal não vai construir um equipamento e sim ampliar o número de leitos em hospital geral.

    Segundo a médica, 12 leitos estão sendo criados na Santa Casa de Misericórdia de Fortaleza para desintoxicação. "Além disso, a gestão pretende implantar dois Caps com funcionamento 24 horas e um Centro integrado de Saúde para Álcool e Outras Drogas (Cisad).

Fonte: Lina Moscoso (REPÓRTER)

   
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