19 de outubro 2009
Depoimento – C.N. - Mãe de adolescente internada na unidade clínica feminina de Embu-SP
Sou mãe de uma adicta de 15 anos de idade.Há três anos que já estava tratando-a com acompanhamento psicológico, mas desconhecida que havia drogas naquele comportamento agressivo, descomprometido, desorganizado e insensível.
Quando tomei ciência de que minha filha estava caminhando por estradas erradas, escuras e que só a conduziriam para o pior, imediatamente optei por interna-lá, pois tudo que lhe era dito não ecoava, nada significava; tudo que lhe era oferecido – estudo, esporte, dança, teatro, não tinha valor; e a família tornou-se o seu maior grupo inimigo.
No meio deste caos, em que somos totalmente impotentes e ignorantes, e principalmente, emocionalmente destroçados, resta-nos confiar em uma Clínica, para que profissionais qualificados e competentes possam resgatar o nosso bem maior daquele roda moinho, evitando que seja engolido pelo olho daquele imenso tornado.
É um momento muito difícil, mas necessário, e eu tinha consciência desta necessidade.
Encontrei dificuldades para conseguir um local para internação, pois além de menina é menor. Após dois dias de buscas, conseguimos um Centro de Recuperação, com um discurso teoricamente correto e convincente.
Com muita insegurança e medo, mas sabedora que todos os limites estavam desprezados e que a família estava totalmente ignorada e impotente diante da situação, e que era necessário a intervenção de profissionais habilitados, a internei.
Após dois meses de internação, ela fugiu e retornou à Clínica após 4 dias, e, após mais de 20 dias, resolvi transferi-la, pois o tratamento dispensado não estava surtindo efeito, pois não houve melhora, mas sim significativa piora.
É de suma importância que haja confiança e respeito não apenas ao adicto, mas também à família – co-dependente, pois todos estamos doentes.
A transferência também é um momento que deve ser respaldado de serenidade, respeito e profissionalismo.
A situação já é, por si só, suficientemente dolorosa, pois há a frustração do tratamento não correspondido, o tempo e dinheiro gastos, a certeza de instabilidade emocional e comportamental, e a esperança da obtenção de resultados diferentes em novo local e com nova metodologia.
Tanto minha filha quanto minha família sofremos bastante coma a transferência, pois não recebemos os documentos, laudos e/ou pareceres para continuidade do tratamento, e nem o respeito devido aos termos contratados e aos seres humanos que vivenciavam toda aquela gama de emoções, já estando emocionalmente abalados pela adicção.
Na outra clínica o que mais me desgastou foi o desencontro de informações, o empurra-empurra de um para outro, com relação ao comportamento de minha família e de sua evolução ou involução no tratamento. A desinformação sobre as técnicas usadas para o tratamento, enfim o feed-back de toda a situação existente. Certo é que minha menina estava em um Centro de Recuperação comandado, quase na sua totalidade, por adictos no décimo segundo passo.
Agora na clínica Viva, estou certa de que poderei encontrar tudo aquilo que almejava no Centro de Recuperação e que, infelizmente, não foi possível encontrar, ajudando a causar, creio eu, a piora de minha filha, pois sou consciente de que além do problema das drogas, ela precisa de muito apoio psicológico, pela sua própria estória de vida e de dificuldade de exposição de sentimentos, que a leva a uma introspecção e revolta permanentes.
A esperança que nos norteia neste momento no Grupo Viva é de que realmente inicie um real tratamento, com acompanhamento diário de profissionais isentos da adicção e qualificados e qualificados tecnicamente para observação, monitoramento, aplicação de terapias cognitivas individuais e grupais, e demais ações para o resgate físico, espiritual e psicológico, proporcionando uma nova visão de vida para minha filha e nossa família, com auto-controle, serenidade, diálogo, honestidade, humildade e respeito, para que possamos juntos enfrentar os obstáculos e ao final, partilhar vitórias.
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Fonte: Assessoria de Imprensa Grupo Viva