Crack e maconha juntos aumentam dano cerebral

 
 

 O consumo do crack misturado à maconha é, de acordo com especialistas, prática disseminada entre usuários da substância originária da cocaína, mais impura e maléfica ao organismo. A adulteração, segundo quem lida diariamente com dependentes químicos, é feita pelos próprios usuários, como tentativa de reduzir os danos provocados pela pedra, que provoca dependência química em pouco tempo.

Danos cerebrais
 
 
    A finalidade difere da prática alertada pelo Centro de Assistência Toxicológica (Ceatox) do Hospital das Clínicas de São Paulo, para quem os traficantes locais estariam adicionando crack à maconha para potencializar o efeito do cigarro e cativar clientes. “A maconha tem efeito contrário ao crack: enquanto a primeira é relaxante, o último é um estimulante. São públicos diferentes”, explica Tarcísio Andrade, que atua como coordenador da Aliança de Redução de Danos Fátima Cavalcanti.
 
 
    “Além disso, adicionar crack à maconha é tornar o produto mais caro, não há vantagem lucrativa”. Segundo Cavalcanti, o que existe, pelo menos em Salvador, é o uso da maconha como tentativa de atenuar o efeito do crack. “Os usuários misturam a substância à maconha porque ela despotencializa a pedra (crack), por ser um tranqüilizante. O indivíduo acaba consumindo menos”. Mesmo assim, a combinação pode trazer danos neurológicos irreversíveis, além de doenças pulmonares.
 
 
    Dentre elas, cita George Gusmão – psiquiatra do Centro de Estudos e Terapia do Abuso de Drogas (Cetad) – insuficiência respiratória, pneumonia grave e tuberculose de difícil tratamento. O pitilho, pitiro ou prestígio consiste em adicionar o entorpecente crack, moído ou em pedaços pequenos, ao cigarro de maconha. “Pode ser uma estratégia dos viciados para não se usar o cachimbo ou latas. Já houve casos de óbitos decorrentes de leptospirose em usuários que utilizavam estes objetos”.
 
 
    Controversa, a idéia de que a maconha diminuiria a dependência ao crack é desmentida pelo psiquiatra George Gusmão: “Não observamos mudança significativa no dependente de crack, não há diferença de prejuízo”. Na capital, o médico diz observar o uso do pitiro há cerca de cinco anos, e alerta para novas práticas: “São Paulo e Rio sempre inauguram estas novidades”, diz, admitindo a possibilidade de os usuários locais de maconha virem a consumir substância adulterada.
 
 

Jornal "A Tarde"

 
   
 
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