Número de apreensões de ecstasy e LSD é crescente e preocupante

 
 

 Há muito tempo balas e doces deixaram de ser inofensivos agrados para crianças em festas de aniversário. São por esses nomes que a galera jovem das grandes cidades conhece o ecstasy (MDMA) e o LSD (ácido lisérgico). Tidas  como inofensivas por quem as consome, o número de apreensões desses dois tipos de drogas é crescente e preocupa a polícia, os pais e especialistas.

LSD
 
 

Os usuários são jovens de classe média, que entram no vício cada vez mais cedo e se negam a reconhecer o risco que correm. 

 
 

    Com o falso marketing de substância inofensiva, que provoca euforia sem causar dependência, o ecstasy é experimentado pelos jovens em raves, boates, micaretas e em festas em casas de amigos. O crescimento do consumo pode ser comprovado pelas apreensões feitas pela Polícia Federal nos últimos anos. Passou de 12 mil unidades em 2006, para 211 mil comprimidos apreendidos em 2007. Isso representa um aumento de 1.713%, em apenas um ano.

 
 

    E essa disseminação do ecstasy não se configura apenas nas grandes metrópolis do país. No ano passado, a Polícia Federal apreendeu no RN 20.601 unidades da droga.

 
 

    A garotada da classe média natalense – filhos de juízes, médicos, funcionários públicos, empresários – vê a pílula como uma alternativa ‘segura’ à cocaína e à maconha já que para comprar a ‘bala’ eles não precisam se relacionar com a figura do traficante – pelo menos aquele que carrega o estigma de ser morador de periferia, andar armado e lidar diretamente com o crime. O fornecedor da ‘pílula do amor’ é o colega da faculdade, o vizinho do prédio, o conhecido da balada. O perfil do traficante mudou para atender a esses novos consumidores da classe média.

 
 

    As raves são o ambiente preferido para usuários de bala. As festas, que chegam a durar 16 horas ininterruptas, em locais distantes do centro e de bairros residenciais, são realizadas com uma freqüência cada vez maior. A idade dos freqüentadores também vem caindo. Os jovens conhecem a droga cada vez mais cedo.

 
 

    Perceber quem toma é fácil. O usuário anda sempre com um “kit rave”: uma garrafinha de água, um Vick Vaporub (usado para dar sensação de frescor), pirulitos ou chicletes e óculos escuros ou coloridos para esconder os olhos.

 
 

    Nessas festas, não é difícil encontrar jovens de 18, 19 anos dançando enlouquecidamente sob efeito da ‘bala’.

 
 

    O promoter de festas de musica eletrônica Henrique T.*, afirmou que se preocupa com isso e desde o ano passado decidiu intensificar a fiscalização na entrada das festas a fim de coibir a entrada de jovens com substâncias entorpecentes. “Além da revista detalhada, a entrada de menores de idade é proibida”, diz. Mas admite que, ainda assim, há quem consiga burlar a fiscalização. “Apesar de não estimularmos e até repudiarmos essas atitudes, não é difícil encontrar quem tenha usado”.

 
 

* Os nomes foram alterados para preservar a identidade dos entrevistados.

 
 

Tribuna do Norte

 
   
 
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