O dependente químico precisa aprender a viver sem as drogas. Apenas tirá-las deixa um vazio que precisa ser compreendido e preenchido. Muitas vezes, habilidades precisam ser aprendidas, e isso deve ser feito por profissionais que se dedicam a esta finalidade e têm o preparo adequado para desempenhar esta função, no caso psicólogos e psiquiatras.
Imagine um jovem que só sabe se relacionar com pessoas se tiver usado cocaína. Interromper o uso sem oferecer-lhe alternativas seria condená-lo ao isolamento. Todo aprendizado implica em erros, falhas. Hábitos requerem tempo e dedicação para serem modificados.
É comum que uma pessoa que está usando abusivamente alguma droga insista nesse comportamento mesmo quando todos acham que deveria mudar.
Às vezes a família de um usuário ou de um dependente de drogas começa a fazer acusações, ameaças, cobranças ríspidas. Este enfrentamento pode acarretar um processo de negação, no qual a pessoa acaba não observando que as drogas a estão matando.
O que os terapeutas mais modernos têm recomendado é aumentar a motivação para a mudança de comportamento. Psicólogos que se especializam no assunto recomendam que se comece por parar com o confronto, pois esta atitude, em geral, aumenta as defesas e ainda dão uma série de justificativas para a pessoa reforçar seu posicionamento.
Na maioria dos casos, existe um processo latente de insatisfação e desejo de mudar, e é isso que precisa ser trabalhado. A melhor maneira de fazer essa insatisfação vir à tona é adotar uma atitude de empatia, de compreensão, evitando acusações, mas pontuando de modo claro os problemas que o comportamento do usuário está trazendo para si e para os outros, sem julgamento moral. Explorar com ele este sentimento que, no fundo o faz sofrer, com uma abordagem de solidariedade, buscando alternativas, pode ser o melhor caminho.
A dependência, como doença, não tem cura, mas tem tratamento. Por isso a resposta para a questão é bastante complexa, uma vez que depende de uma série de fatores, que vão do comportamento do dependente até fatores externos que possam influenciar no processo de tratamento.
Inicialmente é preciso dizer que uma pessoa que está motivada a parar com o uso de determinada substância deu um importante passo. Entretanto ela passará por um período inicial de abstinência caracterizada por sintomas desagradáveis, que são: depressão, falta de prazer, insônia, ansiedade, irritabilidade e desejo intenso pela droga. Estes sintomas podem levá-la a buscar a cocaína para conseguir aliviar o mal-estar provocado pela ausência da substância.
A síndrome de abstinência, especialmente os sintomas depressivos e a vontade de utilizar a substância, pode durar até semanas. Daí em diante é muito importante para a manutenção da abstinência que a pessoa evite situações que facilitem o uso da droga através de uma modificação de hábitos e estilo de vida.
Não há um tempo definido para a pessoa se dizer liberta da droga. No caso do Grupo Viva, há períodos de tratamento, que são avaliados conforme a necessidade de cada paciente. Após o tratamento, a pessoa deverá tomar cuidados para não usar a droga novamente, pois a cada recaída ela corre o risco de voltar a usar cocaína no mesmo padrão nocivo utilizado anteriormente. Contudo, vale a ressalva, recair não significa fracassar e, na verdade, faz parte do processo de recuperação.
Os sintomas de abstinência de cocaína são influenciados pelo ambiente externo. Em locais protegidos os sintomas são mais brandos e às vezes nem são percebidos. Já locais que possam trazer à memória o consumo, os sintomas são desencadeados e intensificados. Desse modo, buscar ambientes onde o uso é menos provável é importante nas primeiras semanas de tratamento, quando a abstinência é mais intensa.
Estudos recentes identificaram três fases da abstinência em relação à cocaína. Na primeira fase, costumam ocorrer sintomas imediatamente após o uso intenso de cocaína, e sua intensidade depende do tempo de duração do uso: "fissura", depressão, agitação e ansiedade, que progressivamente se transformam em cansaço e desejo intenso de dormir. A fase seguinte é considerada a abstinência propriamente dita e os sintomas ocorrem após um período de dias em que o usuário está sem usar a droga.
Uma diminuição da capacidade de experimentar prazer, tédio e uma desmotivação geral são os principais sintomas da abstinência da cocaína. Como nas demais drogas que criam dependência, os sintomas de abstinência da cocaína são na direção oposta dos efeitos agudos da droga. Assim, se o uso agudo produz uma sensação exagerada de euforia, cronicamente produz uma abstinência em que predomina a falta de prazer.
A terceira fase é chamada de extinção e tem uma duração indeterminada, pois o desejo pela cocaína, a "fissura", pode continuar a ocorrer, de forma bastante variável, durante anos.