PF alerta para uso de nova droga sintética

 
 

 Considerado o terceiro maior consumidor de drogas sintéticas no mundo, conforme relatório divulgado pelo Escritório da ONU sobre Drogas e Crime, uma nova substância produzida em laboratório, a clorofenilpiperazina ou m-clorofenilpiperazina (mCPP), começa a ser usada em larga escala no Brasil, principalmente no Estado do Rio.

 
 

    As primeiras investigações sobre a chegada do entorpecente, que tem aparência e efeitos parecidos com o ecstasy, foram iniciadas há seis meses pela Polícia Federal de Volta Redonda, no Sul Fluminense

 
 

    "Começamos a desvendar um forte esquema que abastece festas 'rave' na capital e no interior com o novo e perigoso 'combustível' (mCPP), além de ecstasy, skank e LSD. O mCPP é produzido na Europa, onde é usado como antidepressivo. Ainda não sabemos com certeza a origem dos comprimidos, mas acreditamos que os carregamentos estariam vindo da Holanda, como medicamento, pelos Correios", afirmou o delegado da PF em Volta Redonda, César Augusto Gaspar.

 
 

    Há duas semanas, durante a Operação Deserto, a PF prendeu 10 suspeitos de integrar uma quadrilha que traficava o produto, com conexões em favelas do Rio e São Paulo. "Todos são jovens de classe média", disse Gaspar.

 
 

    A apreensão de mil comprimidos de mCPP - a maior no País - pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), em julho, na Via Dutra, em Volta Redonda, ajudou a PF a chegar ao bando. Com base em interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça, agentes da PF descobriram que o mCPP foi comprado na Mangueira, no Rio, e teriam identificado mais de 30 viciados no Sul do Estado. Vinte prestaram depoimento.

 
 

    X., 18 anos, que aparece em um dos grampos, foi arrolada como testemunha pela PF. Ela disse conhecer integrantes da quadrilha e que nunca usou mCPP. "Os efeitos são muito loucos. Em festas rave, vi mulheres ficarem nuas, gente alucinada, tendo convulsões. Há apostas para ver quem é que fica mais doidão. Muitos passam mal", afirmou a jovem.

 
 

    César Augusto Gaspar planeja novas operações devido à crescente identificação de usuários de mCPP e ecstasy. "As investigações continuam. A Operação Deserto é conseqüência de outras, como a Xeque-Mate, em 2006, da Roseira, em 2007, e da Barragem, no ano passado. Em dois anos, prendemos 120 traficantes", disse.

 
 

    A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aguarda pedido formal da PF para incluir o mCPP na lista de produtos proibidos. Segundo especialistas, a substância pertence à classe das piperazinas e imita os efeitos do ecstasy. A primeira sensação é de elevação do humor e bem-estar.

 
 

    "Mas as reações são piores: de intensa dor de cabeça e vômito até ataques de pânico e confusão mental. Misturado ao álcool ou cocaína pode ser fatal", afirmou Maria Thereza de Aquino, diretora do Núcleo de Estudos e Pesquisa em Atenção ao Uso de Drogas (Nepad-Uerj).

 
 

    Segundo a diretora, a piperazina é tão forte que é usada como princípio ativo de medicamentos usados para sedar esquizofrênicos em crises. "Como prevenção, o mais eficaz é o diálogo entre pais e filhos, pois, ao contrário de outras drogas, o mCPP não deixa cheiro ou rastro aparentes", disse.

 
   
 
Voltar
 
     

 

 

 

 

 

Tel.: (15) 3243.4330 Votorantim/SP - (47) 3249.0411 Itajái/SC - (61) 3244-1810 Brasília/DF - Plantão 24h (15) 8117.5152

Webmaster